Mapear Controles Internos é uma das etapas mais importantes para empresas que desejam melhorar a gestão de riscos, fortalecer a governança e aumentar a capacidade de demonstrar conformidade.Na prática, muitas organizações sabem que possuem controles, mas não conseguem responder rapidamente a perguntas básicas:

  • Quais controles existem?
  • Qual risco cada controle trata?
  • Quem é responsável?
  • Com que frequência o controle é executado?
  • Qual evidência comprova sua execução?
  • O controle foi testado?
  • O controle é realmente eficaz?
  • O que acontece quando o controle falha?

Quando essas informações estão espalhadas em planilhas, documentos e e-mails, a organização perde visibilidade e aumenta o esforço necessário para auditorias e avaliações de Compliance.

É por isso que o mapeamento de Controles Internos deve ir além de uma simples lista de controles.

O objetivo é construir uma estrutura que conecte:

Processo → Risco → Controle → Responsável → Evidência → Teste → Resultado → Plano de Ação

Neste guia, você vai aprender como mapear Controles Internos passo a passo e como transformar esse mapeamento em uma ferramenta de gestão.

O que é o mapeamento de Controles Internos?

O mapeamento de Controles Internos é o processo utilizado para identificar, documentar e relacionar os controles existentes aos riscos e processos da organização.

O objetivo é criar uma visão estruturada sobre como a empresa trata seus principais riscos.

Um mapeamento pode responder:

“Qual controle existe para reduzir determinado risco e como sabemos que ele está funcionando?”

Essa pergunta é essencial para auditoria, Compliance, gestão de riscos e governança.

Por que mapear os Controles Internos?

Sem um mapeamento estruturado, a empresa pode ter controles duplicados, controles insuficientes ou riscos que não possuem nenhum mecanismo adequado de tratamento.

O mapeamento ajuda a:

  • Identificar riscos sem controles;
  • Encontrar controles duplicados;
  • Definir responsabilidades;
  • Identificar controles críticos;
  • Organizar evidências;
  • Preparar auditorias;
  • Melhorar processos;
  • Fortalecer Compliance;
  • Monitorar a efetividade dos controles;
  • Priorizar planos de ação.

Mais do que documentar controles, o mapeamento permite identificar onde a organização está protegida e onde ainda existem lacunas.

O que é uma Matriz de Riscos e Controles?

A Matriz de Riscos e Controles é uma ferramenta utilizada para relacionar riscos identificados aos controles que existem para tratá-los.

Uma matriz básica pode conter:

ProcessoRiscoControleResponsávelEvidência
Contas a pagarPagamento indevidoAprovação independenteFinanceiroRegistro de aprovação
Gestão de acessosAcesso indevidoRevisão periódica de acessosTIRelatório de acessos
FornecedoresContratação de terceiro de alto riscoDue DiligenceComplianceRelatório de avaliação

Essa estrutura permite visualizar a relação entre os diferentes elementos do processo.

Como mapear Controles Internos passo a passo?

1. Liste os principais processos da organização

O primeiro passo é entender quais processos precisam ser avaliados.

Dependendo da organização, podem existir processos como:

  • Financeiro;
  • Compras;
  • Vendas;
  • Recursos Humanos;
  • Tecnologia;
  • Segurança da Informação;
  • Gestão de fornecedores;
  • Compliance;
  • Jurídico;
  • Operações;
  • Proteção de dados.

O ideal é começar pelos processos mais relevantes para os objetivos estratégicos e pelos que possuem maior exposição a riscos.

2. Entenda como o processo funciona

Antes de identificar controles, é necessário compreender o processo.

Algumas perguntas podem ajudar:

  • Como o processo começa?
  • Quais são suas principais etapas?
  • Quem participa?
  • Quais sistemas são utilizados?
  • Quais informações são geradas?
  • Onde existem decisões?
  • Onde podem ocorrer erros?
  • Quais atividades são críticas?

Essa etapa pode envolver entrevistas com gestores, análise de procedimentos, documentos e observação das atividades.

3. Identifique os riscos do processo

Depois de entender o processo, identifique o que pode dar errado.

Um risco deve representar um evento que pode afetar os objetivos da organização.

Por exemplo:

Processo: contas a pagar.

Risco: pagamento realizado para fornecedor não autorizado.

Outro exemplo:

Processo: gestão de acessos.

Risco: colaborador mantém acesso a sistemas após desligamento.

A identificação deve considerar as características reais da operação.

4. Avalie os riscos

Depois de identificar os riscos, é necessário avaliar sua relevância.

Uma metodologia comum considera:

  • Probabilidade;
  • Impacto;
  • Nível de risco.

O resultado pode ser classificado, por exemplo, como:

ClassificaçãoInterpretação
BaixoImpacto limitado
MédioRequer acompanhamento
AltoExige tratamento prioritário
CríticoPode comprometer significativamente os objetivos

A metodologia deve ser definida pela própria organização de acordo com seu contexto e apetite de risco.

5. Identifique os controles existentes

Agora vem uma das etapas mais importantes.

Para cada risco identificado, pergunte:

“O que a empresa já faz para evitar ou detectar esse problema?”

Os controles podem ser:

  • Políticas;
  • Procedimentos;
  • Aprovações;
  • Validações;
  • Segregação de funções;
  • Conciliações;
  • Revisões;
  • Monitoramentos;
  • Bloqueios sistêmicos;
  • Auditorias.

O objetivo é mapear o que realmente acontece no processo, e não apenas o que está descrito em uma política.

6. Defina o objetivo de cada controle

Todo controle deve possuir uma finalidade clara.

Por exemplo:

Controle: aprovação independente de pagamentos.

Objetivo: reduzir o risco de pagamentos indevidos ou não autorizados.

Essa relação ajuda a verificar se o controle realmente trata o risco identificado.

7. Classifique o tipo de controle

Os controles podem ser classificados de diferentes maneiras.

Uma classificação simples é:

TipoObjetivo
PreventivoEvitar que o evento aconteça
DetectivoIdentificar que o evento aconteceu
CorretivoTratar a consequência ou causa do problema

Também pode ser útil identificar se o controle é:

  • Manual;
  • Automatizado;
  • Híbrido.

8. Defina o responsável pelo controle

Um controle precisa possuir um responsável claramente definido.

Isso evita situações em que todos acreditam que outra pessoa deveria executar determinada atividade.

O mapeamento pode identificar:

  • Responsável pela execução;
  • Responsável pela supervisão;
  • Área responsável;
  • Responsável pelo monitoramento.

Controle sem responsabilidade definida é um controle vulnerável.

9. Defina a frequência

Também é necessário registrar com que frequência o controle é executado.

Exemplos:

  • Por transação;
  • Diariamente;
  • Semanalmente;
  • Mensalmente;
  • Trimestralmente;
  • Anualmente;
  • Quando necessário.

A frequência deve ser adequada ao risco tratado.

10. Defina a evidência

Uma pergunta fundamental é:

“Como a empresa consegue provar que esse controle foi executado?”

Essa prova é a evidência.

Exemplos:

  • Relatórios;
  • Logs;
  • Registros de aprovação;
  • Checklists;
  • Documentos;
  • Tickets;
  • Relatórios de sistema;
  • Atas;
  • Comprovantes.

A existência da evidência aumenta a capacidade da empresa de demonstrar que o controle realmente foi executado.

11. Avalie a efetividade do controle

Depois de mapear o controle, é necessário avaliar se ele funciona.

Um controle pode ser:

  • Eficaz;
  • Parcialmente eficaz;
  • Ineficaz;
  • Não executado;
  • Não testado.

Essa avaliação pode ser realizada por meio de testes.

12. Teste os controles

O teste verifica se o controle foi executado conforme definido.

Uma estrutura básica pode envolver:

  1. Definir o controle;
  2. Definir o período;
  3. Selecionar uma amostra;
  4. Coletar evidências;
  5. Verificar a execução;
  6. Registrar exceções;
  7. Concluir sobre a efetividade.

Os critérios e métodos de teste devem ser definidos conforme a natureza do controle e o risco relacionado.

13. Identifique lacunas de controle

Durante o mapeamento, podem aparecer situações como:

  • Risco sem controle;
  • Controle sem evidência;
  • Controle duplicado;
  • Controle executado de maneira inconsistente;
  • Controle inadequado ao risco;
  • Controle sem responsável;
  • Controle sem monitoramento.

Essas lacunas representam oportunidades de melhoria.

14. Crie planos de ação

Quando uma deficiência é identificada, a organização pode criar um plano de ação.

Um plano de ação deve estabelecer:

  • O que será feito;
  • Quem será responsável;
  • Quando será concluído;
  • Qual é a prioridade;
  • Qual evidência comprovará a conclusão.

Assim, o processo deixa de ser apenas um diagnóstico.

O mapeamento passa a gerar melhorias concretas.

15. Reavalie os controles periodicamente

Controles precisam acompanhar as mudanças da organização.

Um processo pode mudar por causa de:

  • Novos sistemas;
  • Novas regulamentações;
  • Alterações organizacionais;
  • Novos fornecedores;
  • Novos produtos;
  • Expansão internacional;
  • Incidentes;
  • Resultados de auditorias.

Quando o processo muda, o risco pode mudar.

E quando o risco muda, os controles também podem precisar ser revisados.

Modelo de Matriz de Controles Internos

Uma matriz pode ser estruturada da seguinte maneira:

ProcessoRiscoControleTipoResponsávelFrequênciaEvidênciaStatus
FinanceiroPagamento indevidoAprovação independentePreventivoFinanceiroPor transaçãoRegistroAtivo
TIAcesso indevidoRevisão de acessosDetectivoTITrimestralRelatórioAtivo
ComprasFornecedor de alto riscoDue DiligencePreventivoCompliancePor contrataçãoRelatórioAtivo

Checklist para mapear Controles Internos

EtapaConcluído
Processos identificados
Processos críticos priorizados
Riscos identificados
Riscos classificados
Controles identificados
Objetivo dos controles definido
Tipo de controle definido
Responsáveis definidos
Frequência definida
Evidências definidas
Controles testados
Efetividade avaliada
Lacunas identificadas
Planos de ação criados
Reavaliação programada

Como saber se o mapeamento de Controles Internos está completo?

Um bom mapeamento não é necessariamente aquele que possui a maior quantidade de controles.

O objetivo é garantir que os principais riscos da organização estejam adequadamente tratados.

Algumas perguntas ajudam a avaliar a qualidade do mapeamento:

  • Todos os riscos relevantes possuem controles?
  • Os controles estão relacionados aos riscos corretos?
  • Existem responsáveis definidos?
  • Existe evidência de execução?
  • Os controles são testados?
  • As deficiências geram planos de ação?
  • Os planos de ação são acompanhados?
  • Os controles são reavaliados?

Se várias dessas perguntas não possuem resposta, provavelmente existe espaço para amadurecer a estrutura.

Como mapear Controles Internos em uma empresa que utiliza planilhas?

Planilhas podem ser úteis como ponto de partida para organizar um inventário de controles.

Porém, conforme a quantidade de processos aumenta, surgem desafios relacionados a:

  • Controle de versões;
  • Atualização de informações;
  • Responsabilidades;
  • Prazos;
  • Evidências;
  • Testes;
  • Histórico;
  • Indicadores.

Uma planilha pode dizer que um controle existe.

Mas ela nem sempre consegue mostrar de maneira integrada:

qual é o risco, quem executou, qual evidência foi apresentada, quando foi testado, qual foi o resultado e qual ação está sendo tomada.

É justamente nessa etapa que a tecnologia pode aumentar significativamente a maturidade do processo.

Como a tecnologia ajuda no mapeamento de Controles Internos?

Uma plataforma GRC permite centralizar o ciclo de vida dos controles.

Em vez de trabalhar com informações desconectadas, a organização pode estruturar:

Processo → Risco → Controle → Responsável → Evidência → Teste → Resultado → Plano de Ação

Essa estrutura facilita:

  • Rastreabilidade;
  • Monitoramento;
  • Auditorias;
  • Gestão de evidências;
  • Acompanhamento de planos de ação;
  • Indicadores;
  • Tomada de decisão.

Como a Triskle ajuda no mapeamento de Controles Internos?

A Triskle GRC permite centralizar riscos, controles, evidências, auditorias, não conformidades e planos de ação em um único ambiente.

Na prática, sua organização pode utilizar a plataforma para:

  • Mapear riscos e controles;
  • Relacionar controles aos riscos;
  • Definir responsáveis;
  • Organizar evidências;
  • Monitorar controles;
  • Registrar testes;
  • Identificar não conformidades;
  • Criar planos de ação;
  • Acompanhar prazos;
  • Gerar indicadores;
  • Apresentar informações em um Dashboard Executivo.

Isso permite que o mapeamento deixe de ser apenas uma planilha e se transforme em um processo contínuo de gestão e monitoramento.

Perguntas frequentes sobre mapeamento de Controles Internos

O que é mapeamento de Controles Internos?

É o processo de identificar, documentar e relacionar os controles existentes aos processos e riscos da organização.

Como fazer uma matriz de Controles Internos?

Comece identificando os processos, depois mapeie os riscos, controles, responsáveis, frequência, evidências e critérios de teste. Por fim, avalie a efetividade e registre eventuais planos de ação.

Qual a diferença entre matriz de riscos e matriz de controles?

A matriz de riscos concentra-se na identificação e avaliação dos riscos, enquanto a matriz de controles relaciona os mecanismos utilizados para tratar esses riscos. Na prática, as duas estruturas podem ser integradas em uma única matriz.

Quem deve mapear os Controles Internos?

O processo normalmente envolve as áreas responsáveis pelos processos, com participação ou apoio de funções como Riscos, Compliance, Controles Internos e Auditoria, conforme o modelo de governança da organização.

Todo risco precisa ter um controle?

Os riscos relevantes precisam ser avaliados e tratados de acordo com o apetite de risco da organização. Isso não significa necessariamente que todo risco terá um controle específico, mas a decisão de aceitar, reduzir, transferir ou evitar o risco deve ser consciente e documentada.

Como testar um Controle Interno?

O teste deve verificar se o controle foi executado conforme definido e se existem evidências suficientes para comprovar sua execução. O método depende da natureza do controle e do risco relacionado.

Como identificar falhas nos Controles Internos?

As falhas podem ser identificadas por meio de testes, auditorias, incidentes, não conformidades, indicadores e monitoramentos.

Planilhas são suficientes para controlar os Controles Internos?

Planilhas podem funcionar em estruturas pequenas, mas podem apresentar limitações quando o volume de riscos, controles, evidências, responsáveis e planos de ação cresce. Uma plataforma GRC pode centralizar e automatizar o acompanhamento.

Mapear Controles Internos é muito mais do que criar uma tabela com procedimentos.

O objetivo é construir uma visão clara sobre como a organização identifica, trata e monitora seus riscos.

Um bom mapeamento conecta:

Processo → Risco → Controle → Responsável → Evidência → Teste → Resultado → Ação

Essa conexão aumenta a capacidade da empresa de identificar lacunas, preparar-se para auditorias, demonstrar conformidade e melhorar continuamente seus processos.

O maior ganho acontece quando o mapeamento deixa de ser um documento estático e passa a ser atualizado e monitorado continuamente.

Controle interno não deve existir apenas no papel. Deve ser executado, evidenciado, testado e melhorado.

Para organizações que ainda controlam essa estrutura em planilhas, a centralização em uma plataforma GRC pode representar um avanço importante de maturidade.


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